Comunicação UFPR FAQ (Perguntas frequentes)
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| · Isto é um manual de redação? Não. A internet ainda está começando a tomar forma. Ela permite inovações. E, como em todos os demais veículos, nada é estanque. "Regras foram feitas para serem quebradas", já dizia um outro. Mas, devemos conhecê-las para poder fazer isso, afirma Jakob Nielsen, o guru da usabilidade e criador de diretrizes respeitadíssimas para websites. | |
| · Que tipo de jornal é este? Segundo Luciana Moherdaui (2000), "atualmente há duas formas de jornalismo na internet. A primeira delas é a informação puramente on-line, em tempo real. A segunda são os sites de publicações, especialmente da mídia impressa, transportados para a internet." O Comunicação é feito especificamente para o ambiente online e seu conteúdo deve estar adaptado para tanto. | |
| · Qual é o tamanho ideal para as matérias? Na internet, não há mais limite espacial para publicação de material como há nos veículos precursores. Porém, isso é relativo. Fatores como tempo de carregamento de página, área útil do monitor e, principalmente, assimilação do leitor acabam definindo uma quantidade. O segredo é primeiro mostrar a ponta do iceberg, para não afujentar leitores apressados ou preguiçosos. A imersão deve ser gradual e voluntária. Por isso, o texto inicial deve ser curto e sedutor. Bruno Rodrigues (2001) lembra seu vovô, redator de reclames dos anos 30: "Quando se tem um espaço reduzido, escreve-se pouco e objetivamente. E tenta-se ser o mais persuasivo possível." É preciso, a cada parágrafo, convidar o leitor a ler o próximo; a taxa de abandono de textos na internet é muito grande. Sobre o tamanho de um texto numa tela, ele preconiza que "não ultrapasse 20 linhas. É o patamar que mais se aproxima da expectativa do visitante." Se necessário for, quebre o texto em páginas, como faz a Wired. Crawford Kilian, autoridade mundial em jornalismo online, afirma que "as pessoas dificilmente lêem mais de dois blocos de texto de até 100 palavras. É importante conseguir que o leitor saiba o máximo lendo o mínimo." O tamanho máximo dos parágrafos, para ele, é 75 caracteres. Pensando na usabilidade de um texto noticioso na web se chega a conclusão fácil de que ele não deve ser maior do que a tela do monitor, já que as barras de rolagem são difícieis de serem manejadas e o leitor pode se perder ao tentar achar onde parou antes de rolar. | |
| · Como é a coesão do texto? Por conta do aumento de parágrafos, o texto costuma ficar mais "quebrado". Isso não é um problemal. Em geral, o leitor não fica desapontado com a quebra. Além de ser poupado dos elementos de coesão (que normalmente tomam a maior parte do tempo de redação), o texto ganha dinâmica tanto na escrita quanto na leitura. Essa característica aproxima o texto de internet da maneira como o texto se forma na mente; está implícita a coesão no fluxo do pensamento. Mas, por favor, sem exageros. | |
| · Como aproveitar o recurso de hipertexto? Leonardo Moura (2002) dá a dica de adicionar embaixo das matérias telefones úteis de entrevistados, emails de personalidades ou instituições e, é óbvio, links relevantes. A melhor coisa do hipertexto é a opção de aprofundamento infinita e deve se evitar que as matérias sejam o fim da linha nessa jornada. Luciana Moherdaui reforça: "É possível explorar as relações com o passado oferecendo informações de fundo ou links com reportagens sobre o mesmo tema." Por isso, além dos links automáticos das matérias sobre o mesmo assunto, é preciso aproveitar o recurso do hipertexto no corpo da matéria. É preciso oferecer ao leitor diferentes níveis de informação. Leitores que desejam ver um panorama geral dos acontecimentos (como o telespectador da TV) e os que procuram coberturas mais aprofundadas devem ser satisfeitos. "Para editar notícias na Internet, é preciso renunciar ao conceito de texto unitário e substituí-lo por textos fragmentados", diz Moherdaui. Uma palavra sublinhada é uma tentação num texto jornalístico. O leitor é compelido a clicar, por curiosidade. Claro, somente se o assunto for relevante. Outra função é ajudar na leitura dinâmica, facilita o entendimento apresssado. A interatividade cria no leitor um aguçado senso crítico. A cada escolha, ele avalia o resultado e acrescenta à sua experiência. E as escolhas acontecem constantemente. Clicar ou não clicar nesse link? Continuar a ler o próximo parágrafo? Fechar o browser e abrir o Frecell ou o Paciência? >:-) | |
| · Como deve ser a linguagem? Leonardo Moura lembra que jornais online podem ser lidos em qualquer lugar do mundo: é preciso evitar jargões e contextualizar os assuntos. Essa propriedade nunca pode ser esquecida, mesmo num jornal de interesse local. A redação online está muito mais próxima da redação do rádio e da televisão do que do jornal impresso. De certa forma, ele "conversa" com o leitor. E o clique é a pergunta. Por isso, "a linguagem coloquial deve prevalecer em qualquer um dos casos, pois a rede não tem tempo para formalidades. Quanto mais formal, mais palavras e mais dificuldade de esclarecimento." Isso não significa que as regras gramaticais devem ser esquecidas. Pelo contrário. Um dos estigmas da internet é que ela apresenta muitos erros de linguagem. O internauta é muito crítico e exige precisão. | |
| · Como criar credibilidade? Falando em estigma, o mais notável deles é quanto a credibilidade da informação. Como é um veículo novo, as pessoas costumam duvidar da sua veracidade. Por isso, é preciso sempre checar muito bem as informações para não dar barrigada. Detectado algum erro, substituir pela informação correta imediatamente - esse é um grande consolo, em relação as mídias anteriores. Se o erro ficou no ar por mais de 24 horas, vale adicionar uma nota de errata explicando no final da matéria. | |
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| · Qual a frequência de atualização ideal? A Internet só perde para o rádio em agilidade para dar furos. Em redações de jornais online sempre há um radioescuta preparado para chupar os furos e pautas. Quando um internauta abre uma página dessas, ele quer ver furos, quer matérias fervendo. Por isso é importante sempre trazer notas, mesmo que incompletas. |
| · Como deve estar estruturado o texto? A concorrência na web é muito grande. "É preciso ter em mente que o leitor do veículo virtual é apressado e, se não temos um bom lide e uma boa amarração de idéias para dar continuidade até finalizar a reportagem, perdemos o freguês, que clica em outro link e vai embora," afirma Leonardo Moura. Moura é categórico: "Frases curtas e pontuação são essenciais na rede." Sua dica é ler o texto em voz alta após a finalização. Se o ar faltou durante alguma frase, o texto não está claro para o internauta. As frases devem ser na ordem direta. É vital para a leitura, porque "o internauta raramente lê um texto mais de uma vez" (Leonardo Moura). Exemplo: Indireta: "A primeira empresa júnior fundada no Brasil foi a da Fundação Getulio Vargas, em 1988" Direta: "A empresa júnior da Fundação Getúlio Vargas é a primeira fundada no Brasil, em 1988." |
| · Qual o nível de concisão do texto? A concisão no texto de internet deve ser uma obsessão. "Expressões como 'sucesso de público e crítica', 'fortemente armado' ou 'consenso geral' podem ser substituídas por 'sucesso', 'armado' e 'consenso'", exemplifica Leonardo Moura. Locuções também devem ser evitadas. 'Usou' em vez de 'fez uso de', 'incentiva' ao invés de 'procuram incentivar' e por aí vai... A dica é sempre que houve dois verbos juntos, corte um. |
| · Quais são as convenções para grafia no Comunicação?
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| · Como devem ser as enquetes? Os usuários na internet são muito apressados e não leêm textos longos. Além disso, gostam de opinar mas não de ficar muito tempo parado, pensando qual resposta mais se adequa a sua posição. Estão mal acostumados a dizer sim ou não, como está na maioria das enquetes da internet. Querem perguntas rápidas, rasteiras e respostas diretíssimas. Se o objetivo é ouvir o leitor, então que seja feita sua vontade. Não é interessante construir respostas elaboradas. Se o internauta quer explicar porque escolheu sim ou não, ele deixa um comentário logo abaixo da enquete. Lá ele pode opinar muito mais do que numa escolha fechada. Lembre-se que a enquete funciona somente como um incentivo para a discussão que ocorre nos comentários. Sua função é publicitária; seu texto deve ser sedutor. |
| · Links altamente indicados Revista digital da Univali. Fácil de navegar e conteúdo de primeira linha. Labcom da Universidade da Beira Interior. Os lusitanos estão usando o mesmo sistema que nós: PHPNuke. Correspondente.net | Infopinião Colaborativa. Uma comunidade aberta em que os membros escolhem o que será publicado. "A crise da pirâmide invertida". Um artigo provocante de Luiz Pereira Jr, professor da Cásper Líbero que sustenta que o lide será cada vez menos usado, principalmente, na Internet. Diários Paulistanos na Web | Um estudo comparativo feito entre jornalismo online e offline por Luciana Moherdaui. Poynter.org. Textos curtos e muita clareza apresentam conteúdo sobre as várias áreas do jornalismo. Inglês. Digital Storytelling (Contação de Estórias Online). Interativo e didático, apresenta as mudanças que o novo meio está provocando no Jornalismo. Inglês. |